O procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, pediu o arquivamento da investigação que apura suposta fraude em cartão de vacina do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sua filha. A decisão final serĂĄ do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são portal g1.
O inquĂ©rito, cujo relator no STF Ă© o ministro Alexandre de Moraes, apura suspeita de falsificação do documento para incluir vacinação contra a covid-19.
Em delação, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, afirmou que agiu a mando de Bolsonaro para incluir dados falsos no sistema do MinistĂ©rio da SaĂșde. No entanto, a Procuradoria-geral da RepĂșblica afirmou que não foram encontradas provas que corroborassem a suposta ordem do ex-presidente.
"Essa solicitação [de Bolsonaro] Ă© elemento de fato central para que a conduta tĂpica, crime de mão própria, lhe possa ser imputada", escreveu Gonet.
Conforme o PGR, no entanto, esta situação difere da encontrada em outros inquĂ©ritos que tambĂ©m utilizaram a delação, como o que apura a tentativa de golpe de Estado. Na quarta (26), Bolsonaro e outras sete pessoas do "nĂșcleo 1" da denĂșncia da procuradoria foram tornados rĂ©us pela Primeira Turma do STF.
"A situação destes autos difere substancialmente da estampada na PET 12.100, em que provas convincentes autônomas foram produzidas pela PolĂcia Federal, em confirmação dos relatos do colaborador", afirmou.
Indiciado hĂĄ um ano
O ex-presidente foi indicado pela PolĂcia Federal (PF) em 19 de março de 2024 pelos crimes de associação criminosa, com pena prevista de um a trĂȘs anos de reclusão, e de inserção de dados falsos em sistema de informação, que prevĂȘ reclusão de dois a 12 anos, alĂ©m de multa.
A foi realizada no âmbito da Operação Venice, que tambĂ©m indiciou Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), alĂ©m de outras 14 pessoas.
A PF concluiu que Cid atuou como articulador da emissão de cartões falsos de vacinação contra a covid-19 para o ex-presidente e familiares dele. Cid tambĂ©m teria atuado para emitir certificados para suas filhas e esposa.
De acordo com o material entregue à PGR, o intuito do grupo seria burlar as regras sanitĂĄrias estabelecidas por autoridades sanitĂĄrias contra o coronavĂrus. Os dados inseridos indicavam que Bolsonaro teria se vacinado em Duque de Caxias (RJ).
A defesa alegou que ele não participou do esquema, pois não tinha necessidade do comprovante de vacinação, por ter passaporte diplomĂĄtico. Apesar disso, foram registrados acessos e emissão do certificado de imunização no aplicativo ConecteSUS com IP do PalĂĄcio do Planalto, horas antes do ex-presidente viajar para os Estados Unidos.
GaĂșcha/ZH