O governo da Itália anunciou mudanças significativas nas regras de concessão da cidadania italiana por descendência, restringindo o direito apenas a filhos e netos diretos de italianos nascidos no país. A nova medida, divulgada nesta semana, afeta principalmente descendentes de imigrantes na América do Sul, que buscavam o reconhecimento da nacionalidade italiana.
Apenas ligações familiares diretas
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, a decisão foi tomada para conter um número excessivo de solicitações, muitas das quais consideradas abusivas.
"Ser cidadão italiano é uma coisa séria. A concessão da cidadania não pode ser automática para quem tem um ascendente que emigrou há séculos, sem qualquer ligação cultural ou linguística com o país", declarou Tajani.
Com a mudança, descendentes de bisavós ou parentes mais distantes, como tataravós, deixam de ter direito ao benefício. Além disso, o governo endureceu a análise documental e aumentou os custos do processo, que pode chegar a 700 euros. A justificativa é que muitos municípios italianos, especialmente os menores, estavam sobrecarregados com a alta demanda.
A nova regra representa um grande impacto para milhares de brasileiros e argentinos que planejavam obter o passaporte italiano. Até então, a legislação permitia a transmissão da cidadania sem limite de gerações, desde que houvesse comprovação documental. Agora, apenas filhos e netos de italianos terão direito ao reconhecimento automático.
SCC / SBT News