MERCADOS

Tarifas de Trump podem beneficiar exportações catarinenses, avalia Fiesc

Estados Unidos são o principal destino das exportações de Santa Catarina

Foto: Marco Favero/Secom
Foto: Marco Favero/Secom

O Brasil ficou com uma das menores taxas no "tarifaço" anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2). A tributação de 10% pode beneficiar os produtos brasileiros em relação aos concorrentes, taxados em até 49%.

A indústria catarinense vê o anúncio das tarifas de Trump com bons olhos. Segundo o presidente da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Mario Cezar de Aguiar, a menor taxa promete tornar as exportações mais competitivas nos Estados Unidos.

"A análise inicial do pacote tarifário do presidente Trump é de que Santa Catarina poderá ampliar embarques aos Estados Unidos, já que concorrentes da nossa indústria no mercado internacional passarão a pagar taxas maiores para entrar no mercado norte-americano", avalia.

Os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações catarinenses. Em 2024, Santa Catarina exportou US$ 1,74 bilhão (cerca de R$ 9,99 bilhões) ao país. Conforme a Fiesc, a maioria dos embarques são itens manufaturados, como produtos de madeira, motores elétricos, partes de motor e cerâmica.

Retaliações às tarifas de Trump devem aproximar Brasil da China e União Europeia

Mesmo no cenário de uma guerra comercial, Brasil e Santa Catarina devem sair na frente. Isso porque os países tendem a adotar medidas de reciprocidade às tarifas de Trump, abrindo espaço no mercado asiático e europeu.

"Com isso, os produtos brasileiros passam a ser mais competitivos que os norte-americanos nesses mercados, gerando uma oportunidade complementar ao Brasil", afirma o presidente da Fiesc.

O Brasil pode estreitar ainda mais as relações com a China, que já é seu principal parceiro comercial. Os produtos chineses serão taxados em 34% nos Estados Unidos, conforme a tabela das tarifas de Trump.

As retaliações ao "tarifaço" também devem destravar o acordo de livre comércio negociado há 25 anos entre Mercosul e União Europeia. O acordo foi fechado em dezembro de 2024, mas ainda não foi implementado.

Apesar da perspectiva inicial positiva, Mario Cezar Aguiar considera que será preciso negociar com o governo estadunidense e acompanhar as mudanças de cenário desencadeadas pelas tarifas de Trump

"O governo brasileiro deve estabelecer os canais necessários com o dos Estados Unidos para defender os interesses do país e, em paralelo, o setor privado brasileiro deve fortalecer a interlocução com seus clientes", afirma o presidente da Fiesc.

Fonte: ND+

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